A produção de alimentos é uma das atividades industriais mais sensíveis e reguladas do mercado. Afinal, trata-se de um setor que impacta diretamente a saúde das pessoas e lida com exigências rigorosas de segurança sanitária, rastreabilidade e qualidade. Nesse contexto, garantir padronização, reduzir variabilidade e manter a operação dentro dos parâmetros exigidos por órgãos reguladores — como a ANVISA e certificações de exportação — é um desafio constante para os gestores industriais.
E é aqui que a Indústria 4.0 deixa de ser apenas um conceito futurista para se tornar um pilar estratégico da operação.
O que é Indústria 4.0?
A Indústria 4.0 representa a quarta revolução industrial, marcada pela fusão entre o mundo físico e digital. Isso se dá por meio da automação inteligente, da Internet das Coisas (IoT), da análise de dados em tempo real e da integração entre sistemas produtivos e corporativos. Na prática, significa processos mais conectados, decisões baseadas em dados, monitoramento contínuo e controle avançado de variáveis de produção.
A automação industrial é a ponto central dessa transformação. Ela permite o controle técnico de processos que antes dependiam da experiência ou da intervenção manual dos operadores, minimizando riscos, otimizando a produção e garantindo conformidade com normas cada vez mais rígidas.
Por que a automação é essencial na indústria alimentícia?
Na indústria de alimentos, as exigências vão além da produtividade: é preciso garantir segurança sanitária, rastreabilidade total, conformidade regulatória e estabilidade dos processos — tudo isso sem abrir mão da flexibilidade para lidar com diferentes receitas, produtos e demandas.
A automação atua como um aliado estratégico nesse cenário. Ela reduz a variabilidade entre lotes, elimina erros humanos, garante precisão na dosagem de ingredientes, e permite que decisões operacionais sejam tomadas com base em dados objetivos, não em percepções subjetivas.
Confira abaixo dois exemplos reais de como a LGM aplicou os conceitos da Indústria 4.0 para elevar o controle de qualidade, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência em plantas alimentícias:
Controle de gordura do creme
Projeto realizado na indústria de laticínios SCALA
Neste projeto, automatizamos o processo de dosagem de água e creme, que anteriormente era feito manualmente, e, portanto, sujeito a variações de operador para operador. A LGM desenvolveu uma lógica de controle em PID, com aplicação de CLP Rockwell, supervisório e IHM para controle local.
Benefícios entregues:
- Teor de gordura padronizado em todos os lotes;
- Redução drástica na variabilidade do produto final;
- Menor risco de erro humano no processo;
- Conformidade com as exigências da ANVISA

Rota de soro automatizada
Projeto executado na Itambé
Apesar de parecer uma tarefa simples, o controle da quantidade de água para reconstituir soro envolvia diferentes PLCs e a necessidade de alimentar duas linhas de produção ao mesmo tempo. Realizamos a inclusão de sensores e módulos analógicos, reprogramação em RSLogix 5000, ajustes no supervisório iFIX e sincronismo entre áreas distintas.
Resultados alcançados:
- Precisão na formulação;
- Redução de desperdícios;
- Operação mais limpa e estável;
- Maior controle sobre a consistência da matéria-prima.

Conclusão
Em um setor onde a qualidade precisa ser garantida lote a lote, a automação não é mais uma vantagem — é uma necessidade. Ela atua como suporte técnico essencial, promovendo estabilidade, padronização e controle rigoroso sobre as variáveis de processo.
Mais do que acompanhar tendências, aplicar os conceitos da Indústria 4.0 é uma forma de tornar sua operação mais segura, eficiente e preparada para os desafios regulatórios e de mercado.


